Hoje, os povos afrodescendentes e originários do Brasil buscam respeito a sua cultura, empoderamento, consciência de raças e o resgate de suas ancestralidades. Essa não é uma tarefa fácil em uma sociedade contemporânea fundada sob a colonização europeia. Raízes muito fortes da colonização foram criadas nessa terra chamada hoje de Brasil. Nesse país, diferente do que os livros de histórias que na teoria coatumam romantizar, foi na prática colonizada com muita violência contra os povos que aqui já viviam.

A cultura europeia é o que chamamos hoje de branquitude,  para ela única forma de vida é a sua que é usada como referência, e qualque r outra que fuja de seu padrão é vista como arcaica. Por trás desse discurso   existem grandes interesses, principalmente de poder. O Homem branco desde que se tem relatos, busca por poder e domínio. Seja sobre sua própria raça ou de outras, a branquitude usa da violência sobre os corpos com forma de domínio, porém os corpos diferente do seu são mais violentados, e sem nenhum pudor fazem o que quer.

Vamos pensar na colonização brasileira, e observar a lógica um pouco diferente das que são relatadas pel os próprios caras pálidas . Os povos originários que viviam nessas terras tinham suas próprias organizações sociais, tecnologias, medicina, crenças, visão de existência. Não existia o certo ou o errado, tudo era conectado à natureza, o universo era abrangente e infinito. O que mais importava para esses povos, era viver e preservar a vida, sem hierarquia  ou distinção do que era mais ou menos importante. Não existia burocracia e a visão de trabalho não era a de posse, mas de sobrevivência. A vida era só festejar, e a coisa mais importante que se tinha para fazer era existir. O homem branco com sua visão progressista cristão de mundo, e totalmente contrário, não aceita que outras formas de viver  existam, pois para ele a sua é a certa e deve ser a única. A partir disso resolve violentar  povos que fujam de seu ideal, forçando-os a aceitar outras crenças, ciência, modo de viver e existir, onde o ter é mais importante que o ser. 

Todas as violências e negações, que a branquitude introduziu forçadamente, não foi suficiente para acabar com a cultura dos povos originários do Brasil e nem de seus afrodescendentes. A ciência, a medicina,  espiritualidade e respeito a vida continua existindo, porém esquecidas em corpos que carregam consigo os traços de seu povo, e que infelizmente encontram-se dominados pelas ideias dos colonizadores.

A maioria dos corpos pretos (seguindo a ideia do colorismo no Brasil), estão presos no pensamento da colonização, e poucos conseguem se desvincular, e ter outra visão do que é existir. Se nós, afrodescendentes e originários desse pedaço do planeta chamado Brasil, quisermos ter nossos corpos respeitados, precisamos ir além da visão cristã sobre o que é existir. Nossos corpos imploram por controle e consciência de nossa cultura, espiritualidade, ciência, medicina e de nossa existência. Nossa ancestralidade é mais poderosa que qualquer ciência baseada em domínio de massa. Cada corpo é único, singular, plural, objetivo e subjetivo ao mesmo tempo. Todos os corpos tem sua capacidade de cura individual e coletivo, onde criamos conexões sem precisar impor que vida é mais ou menos importante. Pois se a nossa divindade maior que é a natureza vai mal, não existe a possibilidade de nós humanos estarmos bem. Cabe a nós retornar ou se reaproximar de nossa existência, pra que juntos à natureza encontremos a cura para esse pensamento destrutivo que se proliferou pelo planeta.